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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte Final)

Toda vez que empresários, políticos e colaboradores do terceiro setor propagarem ações empresariais ou políticas públicas em determinado lugar, cidade ou região, o Marketing recomenda-lhes conhecer a dimensão desse mercado. Avaliar o tamanho do mercado a partir da adequada prospecção da extensão do seu poder econômico e de consumo, ou pela estratificação social competente, possibilita calibrar a eficiência e eficácia das ações empreendidas com a efetividade dos objetivos que se pretendam alcançar.
Reconhecer que entre “o 8 e o 800” existem múltiplos caminhos a serem seguidos, não assegura o êxito da empreitada. Num mercado altamente competitivo, a capacidade de planejar concretamente visando à efetividade das ações propostas para determinado mercado consumidor, passa a ser um fator determinante para alcançar o sucesso e obter bons resultados. Ter competência para reconhecer e fixar seu público alvo ou nicho de mercado é outro.
Esse também é o caso da região Vale Norte do Itajaí. A segmentação de ações comerciais ou políticas públicas voltadas para consumidores com renda, por exemplo, dificilmente terão a mesma dimensão e efeito sobre os consumidores sem renda. As necessidades entre os consumidores são diferenciadas, entre outras, pela capacidade de consumo que é determinada pela renda, pelas preferências pessoais, pela localização espacial, pela idade, pela capacidade de compreensão e percepção do que sejam seus valores de uso, de troca e de estima, etc. Conhecer o perfil do consumidor alvo, evita gastos desnecessários e onerosos com ações que não encontrarão eco em determinados segmentos do estrato social, por absoluta falta de identificação do público alvo com o objeto da coisa pretendida.
Extrapolando o Senso 2000 do IBGE, observa-se que a região do Vale Norte do Itajaí, consolida-se como sendo um mercado consumidor estimado em 49.838 habitantes. Desses total 54,9%, ou 27.372 pessoas, têm algum tipo de renda e 45,1%, ou 22.466 pessoas, não possuem renda alguma. Do total de 49.838 habitantes, apenas 13.834 (27,8%) são pessoas economicamente ativas (ocupadas), dos quais 22,7% (11.326 pessoas) são assalariadas e 5% (2.508) são profissionais autônomos e empresários. Os demais 13.538 habitantes com renda (27,21%) pertencem ao grupamento “não ocupados”, tais como os beneficiários do INSS e outros, e que não devem ser confundidos com “desocupados”.
Dito de outra forma, se a população do Vale Norte do Itajaí fosse reduzida a 100 habitantes, 55 ganhariam algum tipo de renda, enquanto que os demais 45 ajudariam a gastá-la. Dessas 100 pessoas, 27 ganhariam sua renda diretamente do trabalho, ao passo que outras 27 pessoas, ganhariam dinheiro a partir de outras fontes de renda, como aposentadorias e pensões. Das 27 pessoas que estariam trabalhando, 22 possuiriam emprego assalariado e 5 seriam profissionais autônomos e empresários. Se todo o salário recebido pelo trabalho dessas 27 pessoas fosse transformado num “bolo” e cortado em 10 pedaços, 4 (quatro) pedaços teriam que sustentar aproximadamente 20 pessoas, outros 4 (quatro) pedaços ficariam com mais 6 pessoas, e 02 (dois) pedaços seriam destinados à 1 pessoa.
Em 2000, essa situação não era muito diferente no restante do país. Se as pessoas fossem niveladas por baixo, poder-se-ia concluir pela existência de uma expressiva concentração da renda assalariada nos estratos superiores da população. Ao contrário, ao nivelá-las por cima, conclui-se que a grande maioria recebe péssimo pagamento pela apropriação do seu trabalho pelo capital. Nos tempos do Brasil império, certamente a primeira situação (nivelamento por baixo), seria a mais aceitável. Em tempos de Brasil República, o mais desejável é nivelar as pessoas por cima, com uma distribuição da renda mais equilibrada, via capacitação profissional e melhores salários. O senso 2010 atualizará essa questão.
Do ponto de vista do Marketing, ao remunerar mal o fator de produção mão-de-obra quebra-se o poder de consumo e formação da poupança da população. Esse fato anda na contra mão da evolução dos mercados produtores e consumidores. Os produtores são diretamente afetados pelos consumidores em sua capacidade de investimento e de produção de bens e serviços em função da renda da população. Por outro lado, do ponto de vista da gestão das políticas públicas, a geração de empregos de baixa remuneração, contribui para a manutenção do círculo vicioso da pobreza e onera a máquina pública por apenas fazer mais do mesmo.
De toda forma, compreender o “market share” (participação de mercado) e empreender em um mercado com essas ou quaisquer outras características, remete para uma questão fundamental: Afinal!... qual é o perfil do seu cliente?
Feliz Natal e Próspero 2010!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte V)

A Tabela 4 acima representa a distribuição socioeconômica da população do Vale Norte do Itajaí, com foco no estrato social denominado “ativo” (com renda), desdobrado em: ocupados e não ocupados. O grupamento “não ocupados” - que não deve ser confundido com “desocupados” -, compreende a população com renda, em situação diversa daquela considerada para o segmento “ocupados”, tais como: beneficiários do INSS (aposentados e pensionistas) e outros não especificados (parcela da população com renda considerada como discrepância estatística por não figurarem nos demais segmentos. Os dados refletem as estimativas populacionais do IBGE para 2009. Tais evidências deverão ser confirmadas pelo Censo 2010.
Para o Marketing, o subgrupo “Benefícios INSS” evidencia que 22,4%, equivalentes a 11.159 habitantes da região do Vale Norte do Itajaí, são formados por pessoas integrantes da “melhor idade”, sendo mais expressivo em Ibirama e Presidente Getúlio. Trata-se de um mercado em ascendência pela maior expectativa de vida da população brasileira, constituindo-se num nicho de mercado com necessidades bastante diferenciadas e típicas de uma idade mais avançada.
Aspectos como acessibilidade aos locais, com rampas, pisos antiderrapantes, corrimões, para garantir a segurança e a autonomia da pessoa idosa devem ser observados por quem deseja clientes da 3ª. idade. Por dispor de mais tempo livre para as mais diversas atividades, esse nicho de mercado potencializa oportunidades no atendimento a inúmeras necessidades, que vão desde a atenção aos aspectos físicos (saúde, alimentação, vestuário, transporte, acomodações, layout de ambientes, infra-estrutura, equipamentos de toda ordem, etc.) até a prestação de serviços para as mais diferentes precisões que venham a se colocar, sejam elas físicas ou espirituais. Produtos e serviços customizados voltados para esse segmento de mercado, em geral, apresenta-se com ótimos retornos sobre os investimentos.
Do ponto de vista da Economia, ponderadas as necessidades mais específicas da idade, o público do subgrupo “benefícios INSS”, demandam muita atenção por parte das políticas públicas, seja nos aspectos de assistência ao idoso, seja na adequação das cidades para um público que representa, aproximadamente, outro ¼ da população. Como pessoas que já contribuíram com a formação da riqueza dos municípios e da nação, merecem usufruir do seu legado. Por sua experiência de vida, a 3ª. idade configura-se em um ótimo celeiro de talentos para atividades voltadas ao 3º. Setor.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A PONTA DE UM "ICEBERG"

Por mais que se busque dourar a pílula, há sempre um ponto crucial e evidente na área da saúde pública. Mais do que uma questão puramente especulativa, a saúde da população deve ser fator determinante da permanente vigilância e atenção da administração pública e, por absoluta necessidade, da avaliação constante - e sem fim -, dos usuários desses serviços, disponibilizados e prestados pelo poder público à população demandante.
Como a questão da demanda por serviços de saúde está muito mais vinculada a razões estruturais do que conjunturais, fica sempre a impressão de que, por mais recursos que se apliquem na saúde, estes nunca serão suficientes para atender às ilimitadas necessidades que venham a ser apresentadas pela população. Por isso mesmo, a demanda por saúde apresenta-se com um negócio altamente rentável para uns, enquanto que para outros, transforma-se no “poço sem fundo” de despesas sem fim.
Teria a medicina emburrecido? Antigamente, quando conseguir um raio-X pago às expensas do município era considerado o supra-sumo da boa gestão da saúde pública, as pessoas que alcançavam tal atendimento, sentiam-se plenamente atendidas em suas necessidades, vez que, a prática da medicina à época, convergia para diagnósticos a partir de evidências fundamentadas nesse instrumento de análise, por vezes, complementado por algum outro exame bioquímico. Era um show bater uma “chapa”, fazer algum exame de sangue ou coisa parecida, ser atendido pelo médico particular ou público e sentir-se absolutamente melhor na semana seguinte. Afinal, sentir-se doente não era algo que as pessoas desejassem, e muitos procuravam evitar por todos os meios, reconhecer a possibilidade de estarem adoentadas. Grassava na sociedade, um conceito muito difundido àquela época: “o trabalho dignifica o homem”.
Na atualidade, esse conceito deu lugar a outros, menos nobres, que ao invés de dignificar o homem, expõe suas mazelas de forma ostensiva e sistemática. Esse mesmo homem, agora movido por conceitos sociais pouco ortodoxos passou a consumir cada vez mais serviços públicos. Ficar doente transformou-se numa forma indireta de apropriar-se dos recursos de terceiros sob a tutela do Estado.
Ao longo dos anos, sob a égide das políticas públicas, o assistencialismo estimulado e praticado por sucessivos governos na área da saúde e assistência social, fez com que o Estado avocasse a si a concepção de uma responsabilidade convenientemente engendrada, convolada num paternalismo convenientemente aceito e recebido pela sociedade. Esse “Walfer State”, termo cunhado pela economia no século passado para designar o “bem-estar social” apresenta um lado hipócrita para essa situação: todo mundo gosta e quer usar, mas ninguém quer pagar a conta.
Dessa maneira, apresentam-se como um “sofisma de composição”, as políticas públicas que não consideram em seu escopo as fontes de financiamento do Estado, imbricadas no conjunto de impostos e taxas que financiam os cofres públicos nas três instâncias e esferas do poder.
Essa questão dá a dimensão do que também ocorre em nosso município no campo da saúde pública. Paradoxalmente, tornou-se muito mais aceitável aos olhos da opinião pública digerir a incomensurável estatística que demonstra a magnitude e amplitude dos serviços oferecidos pelo município, vez que, os espetaculares 40911(1) serviços prestados na área da saúde pública municipal, passaram a ser considerados como parâmetro de excelência de gestão, quando - e sem nenhum demérito ao grandioso trabalho realizado -, o mais desejável deveria ser exatamente o contrário.
Do ponto de vista da Gestão de Políticas Públicas a medicina preventiva, escopo do programa da saúde da família, deixa uma grande lacuna em aberto quando, para uma população municipal estimada de 14392 pessoas, são prestados admiráveis 40911 serviços em saúde. Trata-se de 2,84 serviços per capita para um período de 10 meses. É como se absolutamente toda a população do município tivesse utilizado, 3 vezes, os serviços de saúde municipal num período de 10 meses. Haja estrutura!
Embora, sob a ótica do gerenciamento da saúde, essa magnitude de serviços prestados possa ser considerada extremamente eficiente, do ponto de vista das políticas públicas seu alcance apresenta-se pouco eficaz. Como a ponta de um “iceberg”, tais indicadores demonstram que vivenciamos uma incompreensível “crise de saúde da população”. Nesse sentido o saudoso poeta evoca a lembrança de que: “(...) De repente, não mais que de repente..., fez-se da vida uma aventura errante, de repente, não mais que de repente.” (Vinicius de Morais, Soneto da Separação).
Apesar de toda a controvérsia que essas ponderações possam gerar e a estatística pretenda comprovar, “nada é tão bom que não possa ser melhorado”.
(1) Fonte: Jornal Gazeta Vale das Cachoeiras, 06/11/2009, pg.61.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte IV)

A Tabela 3 acima representa a distribuição socioeconômica da população do Vale Norte do Itajaí, com foco no estrato social denominado “ativo” (com renda), desdobrado em: não ocupados e ocupados. O grupamento “ocupados”,compreende a população de assalariados e não assalariados. Os dados refletem as estimativas populacionais do IBGE para 2009. Tais evidências deverão ser confirmadas pelo Censo 2010.
Para o Marketing, o grupamento “não ocupados” - composto por aposentados e pensionistas -, evidencia que 27,2% da população da região do Vale Norte do Itajaí é formado por pessoas integrantes da “melhor idade”. Trata-se de um mercado em ascendência em face da maior expectativa de vida da população brasileira, caracterizando-se como um nicho de mercado com necessidades bastante diferenciadas e típicas de uma idade mais avançada. Produtos e serviços voltados para esse segmento da sociedade em geral, apresentam-se com ótimos retornos sobre os investimentos.
Do ponto de vista da Economia, ponderadas as necessidades mais específicas da idade, o público do grupamento “não ocupados”, demandam muita atenção por parte das políticas públicas, seja nos aspectos de assistência ao idoso, seja na adequação das cidades a um público que representa ¼ da população. Como pessoas que já contribuíram com a formação da riqueza dos municípios e da nação, merecem usufruir de seu legado.
No outro extremo, encontra-se a população “ocupada” que, representa 36,7% da população de Presidente Getúlio, e 35,0% de Ibirama. Nos demais municípios da região do Vale Norte do Itajaí essa contingente representa 13,5% da população, evidenciando um significativo descasamento ocupacional dos estratos sociais da região, em parte explicada pela discrepância de 2395 pessoas não consideradas na população economicamente ativa daqueles municípios, e possivelmente vinculados a atividades primárias. Por conta dessa discrepância, a região do Vale Norte do Itajaí apresenta 27,8% de pessoas economicamente ativas.
Para o Marketing, esse outro ¼ da população, deve receber atenção diferenciada dos demais estratos sócias, vez que, é uma parcela de habitantes com necessidades muito específicas e horários de consumo limitados pela jornada de trabalho.
Para a economia, essa parcela da população representa 13834 pessoas que geram as riquezas que serão consumidas por todos os habitantes da região.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte III)

A Tabela 2 acima estratifica a população do Vale Norte do Itajaí, segmentada pela renda. As extrapolações para 2009 confirmar-se-ão, ou não, pelo Censo 2010. A análise abaixo considera, apenas, a quantificação relativa da população com e sem renda.
Do ponto de vista do Marketing, observado o potencial consumidor da região do Vale Norte do Itajaí, a dimensão do mercado, como função da renda, configura-se mais “ativo” em Ibirama e Presidente Getúlio, apresentando-se mais passivo nos demais municípios.
A discrepância relativa que se observa entre a população com renda pode, em parte, ser explicada por uma atividade econômica mais intensa na agricultura, indústria e serviços, naqueles municípios com percentual de “com renda” maior. Tal discrepância, também pode ser explicada pela “idade” dos municípios, pela idade e formação da população, e por uma possível migração populacional, com renda, mais concentrada nos municípios de Ibirama e Presidente Getúlio.
O desequilíbrio gerado pela redução de 15% do poder de consumo médio dos demais municípios do Vale Norte do Itajaí impacta em 5% a atividade econômica da região. As estratégias de marketing voltadas a este mercado consumidor, além enfrentar o desequilíbrio “natural” de 40% entre a população sem poder de compra e os 60% da parcela de pessoas com renda - sem descuidar destes e incrementar àqueles -, ficam mais sensibilizadas pelo volume adicional de consumidores passivos. É a sensibilidade do espectador que definirá se essa questão configura-se como uma oportunidade ou ameaça.
Do ponto de vista econômico, promover a inclusão de maior parcela dos 45,1% de consumidores passivos transforma-se no desafio que as políticas públicas regionais e municipais devem perseguir, implementando projetos que visem ao maior equilíbrio das forças geradoras do crescimento e desenvolvimento econômico local. Por essa razão, uma das preocupações dos governos municipais é buscar inserir no mercado formal a maior quantidade possível de pessoas.
Em economia, entende-se crescimento como função quantitativa e desenvolvimento função qualitativa. Condições que favoreçam ao investimento da iniciativa pública e privada, seja pela adoção de políticas públicas visando à otimização da economia e qualidade de vida, seja pela abertura ou expansão de empresas e empregos, apresentam-se como algumas formas da administração pública contribuir para o desenvolvimento/crescimento econômico de um município. Aumentar o poder de ganho das pessoas através da maior qualificação profissional, melhores salários e políticas de inclusão social também contribuem com esse propósito.
A vida econômica de um país começa a partir do município, logo, quanto maior a parcela da população com renda, melhor para a economia do município e do país. Aguardaremos 2010.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ENSINO SUPERIOR - UM PROJETO PARA A ECONOMIA DO AMANHÃ

Qual é o projeto de Ensino Superior de Presidente Getúlio? Não se pode examinar o ensino superior em Presidente Getúlio como um evento dissociado da realidade econômica e social da região. É sempre necessário considerar que: “as escolhas que se fizerem hoje, replicarão nos resultados e na vida da cidade amanhã”.
Segundo a UNIDAVI, em função da inviabilidade econômica decorrente da fraca demanda, a cidade pode ficar sem curso superior em seu “status” de oferta educacional. A meu ver, isso significaria, em alguma medida, admitir a incapacidade de mobilização da sociedade e evidenciaria falta de objetividade no ordenamento gerencial sustentável de projetos de desenvolvimento e crescimento para a economia local, em face da ausência do “locus” gerador desse conhecimento e da perda das sinergias multiplicadoras de oportunidades gestadas a partir dele.
As múltiplas implicações dessa possibilidade sobre a economia local têm como uma das contrapartidas, o malogro e a destruição dos recursos públicos e privados já invertidos na atividade e a respectiva drenagem de novos recursos, escassos e custosos, envolvidos na formação, locomoção e demais custeios relacionados à educação superior, direcionados para outras cidades.
Implica, ainda, na descapitalização cultural resultante da não retenção do conhecimento gerado ou de alguma forma patrocinado pelo município, em razão da migração da mão-de-obra formada voltar-se para oportunidades mais atraentes em outras localidades.
Presidente Getúlio e região têm uma grande massa crítica de oportunidades de crescimento e desenvolvimento, que seguramente se tornariam mais rapidamente alcançáveis e concretizáveis, a partir de um projeto de ensino superior fundamentado nessas potencialidades. As oportunidades não podem somente estar lá fora. Elas também devem se materializar aqui.
Realmente, de pouco vale para a cidade formar profissionais superiores, em ciências que não encontram guarida em oportunidades no mercado local. Essa, também, é uma face perversa da realidade das famílias que investem, “com muitas dificuldades”, na formação de seus filhos. São aspectos que acabam por desestimular o candidato à academia e, não raro, se transformam em verdadeiras barreiras ao ingresso no ensino superior
Por outro lado, todos os anos são formados um grande contingente de alunos, egressos do 2º. Grau. Esses futuros e potenciais acadêmicos poderiam ser mais estimulados e melhor informados sobre as oportunidades do mercado de trabalho, evidenciando as características e requisitos das eventuais profissões escolhidas. É comum observar uma forte desistência dos cursos superiores nos primeiros semestres da vida acadêmica, o que afeta o ponto de equilíbrio dos cursos e implica em maiores custos para o ensino superior.
A saudável concorrência entre as múltiplas instituições de ensino superior, a qualidade e oportunidade dos cursos, as modalidades de ensino praticadas, os diferentes canais em que os cursos são ofertados, a variação nos preços praticados, a qualidade e capacidade do corpo docente e a excelência no serviço prestado, transformam-se no diferencial mercadológico dessas organizações.
As condições estão colocadas. Fazer juz à tamanha diversidade de oferta passa, necessariamente, pela discussão de qual projeto de ensino se deseja e com qual realidade econômica local ele deve estar conectado para, só então, decidir qual ou quais bandeiras deveriam estar hasteadas no pórtico do Centro de Ensino Superior de Presidente Getúlio.

domingo, 20 de setembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte II)

A estatística é uma ferramenta que permite ao observador, uma leitura bastante aproximada da realidade do universo pesquisado. Trabalhar com erro estatístico de até 5%, não inviabiliza macro conclusões. Elas indicam tendências observadas a partir da leitura dos 95% demais elementos pesquisados e não altera o viés das conclusões abaixo apresentadas.
A Tabela 1, acima, indica o tamanho da população de Presidente Getúlio e Ibirama, segundo o Censo de 2000 realizado pelo IBGE. Somados, os dois municípios detinham, à época, um público consumidor de bens e serviços de 28.135 pessoas. Em 2009, estima-se esse público em 31.861habitantes. Diante disso, o crescimento populacional de Presidente Getúlio e Ibirama, para o período 2000-2009, pode ser estimado a uma taxa de 1,73% e 1,12% ao ano, respectivamente. O Censo de 2010 confirmará ou não essa tendência.
A diferença nas taxas de crescimento dos municípios pode ser explicada por diversos fatores conjunturais ou estruturais e, sem pretender esgotar o assunto, é possível afirmar que:
a) No somatório dos períodos 2000/2009, o crescimento populacional, estimado para os municípios da tabela 1, foi de 3.726 pessoas. O mercado consumidor dessa região cresce, em 10 anos, a uma velocidade equivalente à totalidade da população de Dona Emma. Tal fato contribui, no médio e longo prazo, para maiores oportunidades comerciais.
b) A proximidade entre os municípios potencializa múltiplos ganhos a partir da integração de mercados consumidores e da expansão comercial, em função da dimensão do mercado consumidor e sua velocidade de crescimento;
c) Quantitativamente, os negócios já mantidos na região devem crescer, no mínimo, na velocidade do crescimento populacional para manter a mesma participação nesse mercado;
d) Tudo o mais constante, em razão das diferentes taxas de crescimento, as políticas públicas ainda tendem a ser mais quantitativas em Presidente Getúlio, e já podem ter um viés mais qualitativo em Ibirama. Além disso, o esforço do poder público para gerir as necessidades da coletividade deve ser igual ou superior à taxa de crescimento da população. Essa é uma condição essencial para a percepção de algum agregado administrativo. Também é condição para alcançar ganhos efetivos de eficiência, eficácia e justiça distributiva na gestão pública.
e) Ponderado o investimento público já realizado, quando considerada a “variação absoluta” dos habitantes em cada município da Tabela 1, o esforço necessário da administração pública para atender às necessidades da população tende a ser maior em Presidente Getúlio.
f) Embora não integrem a Tabela 1, a população, estimadas para os municípios, de Dona Emma (3.583 pessoas), José Boiteux (5.054), Vitor Meireles (5.756) e Witmarsum (3.584), representam 36% (1/3) do mercado consumidor de 49.838 pessoas da região Vale Norte.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte I)

A Ciência Econômica e o Marketing guardam uma preocupação comum: o “homo economicus”.
A Economia se ocupa em atender às ilimitadas necessidades do ser humano, ajustando recursos escassos para obter a melhor combinação entre eficácia alocativa (onde e o que fazer), eficiência produtiva (quanto e por quanto tempo fazer), e justiça distributiva (pra quem e por quanto fazer).
O Marketing é uma função gerencial que se ocupa de ferramentas, resumidamente denominadas de: produto, preço, ponto, promoção. O conjunto dessas ferramentas é conhecido como Marketing Mix. A integração e coordenação das funções desse Mix de Marketing entre si e com outras áreas de qualquer organização empresarial têm como objetivo o ser humano que, em marketing, se chama de cliente ou consumidor.
A interação do homem com a sociedade, visando atender suas ilimitadas necessidades, promove o processo econômico denominado como “demanda ou procura”. É através da compreensão e o atendimento dessas ilimitadas necessidades dos seres humanos - conhecida como demanda do cliente -, que se promove o processo de Marketing integrado chamado “oferta”.
Os diferentes níveis entre a oferta e a procura por bens e serviços, criam um mercado. O equilíbrio entre a oferta e a procura em um determinado mercado é dado pelo preço como uma função da renda disponível para consumo imediato daqueles bens ou serviços ofertados.
A renda das pessoas resulta das relações de troca ocorridas no mercado, através das diferentes combinações dos fatores de produção, entre eles: capital, trabalho. Essa renda é obtida sob a forma de lucros ou salários. É ela – a renda -, quem determina a capacidade e o poder de compra – pelas pessoas -, dos bens e serviços ofertados e disponíveis no mercado.
Pessoas que não trabalham, ou investem sem sucesso, não possuem renda. Do ponto de vista da Economia, essas pessoas são consideradas “sem renda”. Do ponto de vista do Marketing, essas pessoas podem ser consideradas “consumidoras passivas” (consomem bens e serviços pagos por pessoas que possuem renda).
Em economia, as pessoas que trabalham (os assalariados), ou investem com sucesso (os não assalariados), são indivíduos “com renda”. Essas pessoas também são denominadas de “ocupadas” ou “economicamente ativas”. Para o Marketing, pessoas com renda podem ser “consumidoras ativas”.
Aposentados e pensionistas são pessoas com renda, porém, para a economia, são considerados “não economicamente ativos” e por isso mesmo integram o grupamento dos “não ocupados”. Já para o Marketing, podem ser consumidores ativos.
Enquanto a ótica econômica pode ser muito útil para iniciativas na gestão pública, a de marketing o é, para a iniciativa privada.
Essas são considerações preliminares que auxiliam na compreensão das tabelas que serão apresentadas mais adiante, e que representam a estratificação socioeconômica das cidades de Presidente Getúlio e Ibirama, nos períodos de 2000 e 2009, com uma análise econômica e de marketing focando aspectos que podem interessar à gestão de políticas públicas e privadas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A CORRELAÇÃO ENTRE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL

No momento em que se apresenta - pelo Poder Executivo - e se discute, no Poder Legislativo, o PPA (Plano Plurianual 2010/2014), divulga-se, com muita oportunidade, os dados demográficos dos municípios brasileiros prospectados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O PPA não pode ser confundido com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). A LDO é uma estratificação anual do PPA. (ex: A LDO sancionada até 31/08/2009 irá orientar a programação orçamentária do governo em 2010).
Aliás, o PPA e a demografia guardam uma íntima correlação de causa e efeito, vez que, o Plano Plurianual tem por finalidade atender às necessidades da população do município, Estado ou País, consolidando as estratégias e os objetivos da administração pública, com os anseios da sociedade e, por sua vez, esta sociedade sustenta o PPA pagando impostos.
O PPA configura-se num lindo exercício de cidadania, desde que sejam respeitados os trâmites legais, seja tempestivamente apresentado à discussão dos diferentes atores sócio-econômicos, e, naturalmente, os objetivos e estratégias do executivo, de fato, representem e atendam aos anseios da população pagante. Portanto, a responsabilidade e análise de um plano, cujo viés ditará os rumos da administração pública para os próximos quatro anos deveria ser objeto da mais profunda reflexão dos cidadãos.
É correto afirmar que no, caso dos municípios, um PPA bem concebido em 2009, orientará as LDOs e as Programações Orçamentárias de 2010 a 2014 e, por conseqüência, o sucesso da gestão e políticas públicas do governo municipal nesse período.
Sendo o PPA um dos atos mais importantes da administração pública, vejo com profunda preocupação, a exigüidade de tempo para a apreciação de assunto de tamanha envergadura, vez que a matéria deverá ser encaminhada pelo Poder Executivo à Câmara de Vereadores até 31 de agosto deste ano, para lá ser apreciado e votado até 31 de Dezembro do primeiro ano do mandato do Prefeito eleito. Em geral, esse assunto cai no esquecimento da população, porque, ignorante ou convenientemente, somente será rediscutido daqui a quatro anos.
Por outro lado, os dados demográficos apresentados pelo IBGE dão conta do expressivo crescimento populacional ocorrido no País e, obviamente, nos municípios, nos últimos 10 anos.
Esse crescimento populacional - nem sempre acompanhado da devida representatividade como sociedade civil organizada -, geralmente, passa ao largo da experiência da inclusão social e da cidadania quando confrontadas as taxas de crescimento da despesa pública e os impostos produzidos para custeá-los, com a taxa de crescimento populacional e os mecanismos de inclusão social e cidadã disponibilizados para atender seus anseios, fato que expunge o indivíduo de seus direitos de cidadão participativo e cuja mão, unge o contribuinte com o flagelo da ignorância, desinformação e toda sorte de oportunismos.
Sopesados os prós e contras da situação, cabe agora a Câmara de Vereadores pugnar pelo adequado uso do poder de representatividade dos interesses do povo, legitimando o PPA e as subseqüentes LDOs, de sorte que seus efeitos não se transformem nos famosos métodos pouco ortodoxos denominados: “GA” (goela abaixo) pela imposição de planos de governo e “RA” (r... acima) pela cobrança dos tributos para custeá-los.

domingo, 31 de maio de 2009

SONHAR E PLANEJAR

Certa feita o sociólogo e, então, Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, preconizou que: “política, é a arte do possível”; arte que a meu ver, reside no plano do admissível, do realizável, do alcançável, e se materializa através de um conjunto de competências dos indivíduos de determinada sociedade.
Em outro sentido, “planejar, é a arte do visionário”, arte que a meu ver, reside no plano do imaginário dos indivíduos, como uma visão de seu futuro, e que se materializa através de um conjunto de caminhos estratégicos, a partir de valores que representam a essência de suas ideologias e competências. É, portanto, o plano dos valores, do sonhável, do desejável, do ideário, das utopias, e se caracteriza pela missão, pela razão de ser dos indivíduos de determinada sociedade.
A conjugação da arte do planejamento com a arte política tem-se constituído no sucesso de muitas sociedades pluralistas, através da materialização de visionários planos de desenvolvimento e crescimento gestados a partir da, e em conjunto com, a sociedade e conduzidos por lideranças por ela escolhidas para esse fim.
Em face da recente sucessão no plano político de Presidente Getúlio, via eleições municipais de outubro/2008, vive-se em nossa sociedade, um momento de grande efervescência do imaginário e da idealização dos cidadãos, sintetizada pela imperiosa perspectiva do ideário coletivo de uma sociedade mais justa; quer seja pela maior eficiência dos meios de produção de bens públicos e privados; seja pela maior eficácia alocativa dos recursos públicos e privados que possibilitem alcançar àquela desejada eficiência dos meios produtivos; ou, ainda, seja por uma maior justiça distributiva dos resultados alcançados pelos dois primeiros.
Ao contrário do que diariamente se assiste na TV brasileira, o cidadão deseja ver socializados bônus e ônus do investimento público/privado, e nesse sentido, observa-se uma auspiciosa iniciativa do Poder Executivo local que, em conjunto com o ACIPG – Associação Empresarial de Presidente Getúlio e FACISC – Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina, busca empreender o Projeto de Desenvolvimento Econômico Local, conhecido como DEL.
Trata-se de uma metodologia de Planejamento Estratégico, aplicado a partir da prospecção do contexto socioeconômico de determinada região, município ou localidade, para identificar quais aptidões (competências essenciais das pessoas e empresas) e potencialidades (geoeconômicas e socioculturais, entre outras) estão presentes naquela localidade e, a partir das quais, se busquem sinergias que viabilizem a implementação de um projeto de desenvolvimento local.
Para tanto, o processo DEL pretende ser um vetor de permanente alavancagem do cenário futuro da economia local a partir da participação ativa da sociedade Getuliense.
Conforme se destacou na reunião de apresentação do referido projeto, em 13/05/2009, o DEL tem por objetivos:
- Obter uma visão sobre as vantagens e desvantagens comparativas e competitivas da economia local e ou setorial;
- Identificar potencialidades e os obstáculos principais para um desenvolvimento econômico local mais acelerado;
- Identificar possíveis linhas de intervenção para dinamizar a comunidade.
Enfatizou-se, ainda, ser o DEL um processo, cujo produto final resulta em planos de ação.
Apresenta-se, pois, como um processo participativo e, como tal, visa sondar o imaginário e o ideário da sociedade local com o objetivo de conceber-lhe uma visão de futuro, a partir da entrevista de seus principais formadores de opinião (stakeholder’s) e outras lideranças locais.
Conta a história, que numa certa ocasião perguntou-se a um grupo de pessoas que participavam de uma construção, o que estavam fazendo. O primeiro, respondeu que assentava tijolos; o segundo, que construía uma parede; já o terceiro respondeu que construía um prédio.
Observa-se desse pitoresco exemplo que, embora todos estivessem absolutamente corretos e trabalhando na mesma obra, tinham diferentes convicções, percepções e conceitos sobre o que estavam executando.
Exsurge desse contexto a percepção de que as pessoas, embora convivam em uma mesma sociedade, podem ter visões estreitas ou ampliadas sobre os mesmos fatos, acalentando e instruindo suas visões de vida e amplitude de oportunidades, segundo a capacidade de perceber, interpretar e reinventar a sua própria trajetória de vida e história.
Portanto, apresenta-se como imprescindível que, no âmbito do planejamento do futuro das sociedades, sejam consideradas essas limitações dos indivíduos e oportunizadas as condições que possam capturar e aplicar, tanto suas capacidades ativas, quanto suas potencialidades latentes.
Ressalte-se ainda, que qualquer processo participativo compreende, do ponto de vista do cidadão, ser parte, fazer parte, ter parte, e isso significa envolvimento e dedicação para alcançar resultados. É, por isso mesmo, diferente de ser, apenas, participado (comunicado).
Assim, enquanto sonhar um sonho do desenvolvimento possa ser ótimo, transformá-lo, através do planejamento participativo, em realidade e oportunidades ao alcance de todos, passa a ser “Divino”!
Mais uma vez, parabéns ao poder executivo pela iniciativa de buscar promover, através da ferramenta DEL, um processo democrático de planejamento participativo.
Porém, para que não careça de legitimidade, resta saber, quão participativo realmente será!

terça-feira, 31 de março de 2009

UMA QUESTÃO DE "MEA CULPA"

Em 02/03/2009, a seção ordinária da Câmara de Vereadores de Presidente Getúlio-SC, apesar de transpirar clima de tranqüilidade, previa uma pauta da ordem do dia normal, não fosse um ítem que poderia gerar um certo “frisson”: o convite formulado pelo Legislativo Getuliense ao Exmo. Sr. Secretário Municipal da Saúde, para esclarecimentos acerca da situação dos plantões médicos no Pronto Atendimento (Pronto Socorro) e PSFs e disponibilização de medicamentos nos PSFs.

Atendendo ao convite formulado, o Exmo. Sr. Secretário Municipal da Saúde, prontamente esclareceu àquele plenário a situação do Setor de Saúde do município, demonstrando que o mesmo encontrava diversas restrições ao seu pleno funcionamento em face de contingências que, dentre outras, destacamos:
a) Elevado quadro de funcionários concursados, efetivados e alocados na área da saúde, comprometendo significativamente a dotação orçamentária do município nesse setor;
b) Exoneração de expressivo número de médicos que atendiam com plantões nos PSFs e no Pronto Socorro do Hospital Maternidade Maria Auxiliadora;
c) Recursos escassos na dotação orçamentária;
d) Dificuldades na captação de serviços médicos, em face das mudanças introduzidas “no apagar das luzes de 2008” na Lei votada pela Câmara de Vereadores da gestão 2005/2008, que reduz em aproximadamente 30% o nível salarial pago ao profissional médico contratado pelo município (de +/-R$ 7 mil para +/-R$ 5mil);
e) Dificuldades em convencer os profissionais médicos no cumprimento da jornada de trabalho de 8 horas diárias contratadas com o município a peso de ouro (+/-R$ 5 mil/mês após a redução dos 30%);
f) Abusos de toda ordem observados no uso da “coisa pública”, em face dos “usos e costumes” da gestão municipal anterior;
g) Cobrança do Ministério Público, no cumprimento integral da jornada de 8 horas de trabalho contratada com os profissionais médicos, e considerados por estes, um “erro grosseiro da gestão da Secretaria da Saúde”, e pelo Legislativo, “falta de jogo de cintura do Sr. Secretário”;
h) Falta de aderência dos profissionais médicos ao concurso público para o preenchimento de vagas na área de saúde do município, pelas razões acima enumeradas;
i) A natural dificuldade com a licitação pública para a tomada de preços e aquisição de medicamentos em curto espaço de tempo;
j) Respeito e observância do embasamento legal, proposto pela própria Câmara de Vereadores (em sua função de criar Leis e fiscalizar seu cumprimento), em face das recentes alterações introduzidas na Lei que rege as questões supracitadas;
k) Respeito ao Ministério Público, no trato da coisa pública;
l) Respeito às Leis, às Normas, esculpidas pelo Estado brasileiro na Lei de Responsabilidade Fiscal, fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Estado; etc...;

O discurso do Sr. Secretário esvaziou o ânimo por cobranças dos representantes do povo, vez que, observou-se grande parcela de responsabilidade da própria casa legislativa pelo “quadro difícil” instalado na saúde do município e que a solução para o imbróglio não seria simples;
Houve vereador que manifestou como “exagerada” a preocupação da Secretária de Saúde em fazer cumprir a recomendação do MP quanto à jornada de trabalho dos médicos contratados pelo município; Lei que, diga-se de passagem, foi votada e aprovada pelo próprio vereador.

Quando o assunto é a Saúde, a curiosa relação entre a realidade de uma Lei aprovada pelo Legislativo e a realidade de sua aplicação, é, na manifesta opinião desse exmo. Vereador, algo que “...não se deve levar tão a sério ”...(sic) , quando o assunto é o MP (está lá gravado nos anais da Câmara de Vereadores).
Moral da história: O exmo. representante do povo, sugere um relaxamento no cumprimento da Lei que ele mesmo ajudou a criar, e cuja aplicação lhe compete a responsabilidade de fiscalizar, sugerindo que o MP e a Secretária do Executivo exageram na cobrança e cumprimento da mesma.

A imoralidade de contratar serviços por 8 horas e não cumprir a jornada, na forma contratada e prevista em Lei, é, por si só, um atentado e um desrespeito desses profissionais contra os cidadãos e contribuintes, configurando-se em uma verdadeira apropriação indébita de recursos públicos. Mas essa já é uma outra questão...
Como consumidores de serviços públicos e provedores dos recursos financeiros para custeá-los, somos, através do voto que outorga poderes aos representantes do povo, todos responsáveis pelo atual quadro da saúde em nosso município, quer seja pela omissão de uns, seja pela conivência de outros, ou pela ausência de muitos.

A irresponsabilidade sempre terá um elevado custo social e no final de todas contas, queiramos ou não, seremos sempre os “todos culpados”.
Graças ao bom senso da presidência daquela casa do povo, concluiu-se que a famigerada Lei poderá ser alterada. Resta saber se sua vigência poderá ser imediata, haja vista que algumas Leis só podem entrar em vigor no ano seguinte à sua aprovação.
Parabéns ao Poder Executivo que, com elevado custo político, busca moralizar uma área tão sensível à opinião pública.