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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte Final)

Toda vez que empresários, políticos e colaboradores do terceiro setor propagarem ações empresariais ou políticas públicas em determinado lugar, cidade ou região, o Marketing recomenda-lhes conhecer a dimensão desse mercado. Avaliar o tamanho do mercado a partir da adequada prospecção da extensão do seu poder econômico e de consumo, ou pela estratificação social competente, possibilita calibrar a eficiência e eficácia das ações empreendidas com a efetividade dos objetivos que se pretendam alcançar.
Reconhecer que entre “o 8 e o 800” existem múltiplos caminhos a serem seguidos, não assegura o êxito da empreitada. Num mercado altamente competitivo, a capacidade de planejar concretamente visando à efetividade das ações propostas para determinado mercado consumidor, passa a ser um fator determinante para alcançar o sucesso e obter bons resultados. Ter competência para reconhecer e fixar seu público alvo ou nicho de mercado é outro.
Esse também é o caso da região Vale Norte do Itajaí. A segmentação de ações comerciais ou políticas públicas voltadas para consumidores com renda, por exemplo, dificilmente terão a mesma dimensão e efeito sobre os consumidores sem renda. As necessidades entre os consumidores são diferenciadas, entre outras, pela capacidade de consumo que é determinada pela renda, pelas preferências pessoais, pela localização espacial, pela idade, pela capacidade de compreensão e percepção do que sejam seus valores de uso, de troca e de estima, etc. Conhecer o perfil do consumidor alvo, evita gastos desnecessários e onerosos com ações que não encontrarão eco em determinados segmentos do estrato social, por absoluta falta de identificação do público alvo com o objeto da coisa pretendida.
Extrapolando o Senso 2000 do IBGE, observa-se que a região do Vale Norte do Itajaí, consolida-se como sendo um mercado consumidor estimado em 49.838 habitantes. Desses total 54,9%, ou 27.372 pessoas, têm algum tipo de renda e 45,1%, ou 22.466 pessoas, não possuem renda alguma. Do total de 49.838 habitantes, apenas 13.834 (27,8%) são pessoas economicamente ativas (ocupadas), dos quais 22,7% (11.326 pessoas) são assalariadas e 5% (2.508) são profissionais autônomos e empresários. Os demais 13.538 habitantes com renda (27,21%) pertencem ao grupamento “não ocupados”, tais como os beneficiários do INSS e outros, e que não devem ser confundidos com “desocupados”.
Dito de outra forma, se a população do Vale Norte do Itajaí fosse reduzida a 100 habitantes, 55 ganhariam algum tipo de renda, enquanto que os demais 45 ajudariam a gastá-la. Dessas 100 pessoas, 27 ganhariam sua renda diretamente do trabalho, ao passo que outras 27 pessoas, ganhariam dinheiro a partir de outras fontes de renda, como aposentadorias e pensões. Das 27 pessoas que estariam trabalhando, 22 possuiriam emprego assalariado e 5 seriam profissionais autônomos e empresários. Se todo o salário recebido pelo trabalho dessas 27 pessoas fosse transformado num “bolo” e cortado em 10 pedaços, 4 (quatro) pedaços teriam que sustentar aproximadamente 20 pessoas, outros 4 (quatro) pedaços ficariam com mais 6 pessoas, e 02 (dois) pedaços seriam destinados à 1 pessoa.
Em 2000, essa situação não era muito diferente no restante do país. Se as pessoas fossem niveladas por baixo, poder-se-ia concluir pela existência de uma expressiva concentração da renda assalariada nos estratos superiores da população. Ao contrário, ao nivelá-las por cima, conclui-se que a grande maioria recebe péssimo pagamento pela apropriação do seu trabalho pelo capital. Nos tempos do Brasil império, certamente a primeira situação (nivelamento por baixo), seria a mais aceitável. Em tempos de Brasil República, o mais desejável é nivelar as pessoas por cima, com uma distribuição da renda mais equilibrada, via capacitação profissional e melhores salários. O senso 2010 atualizará essa questão.
Do ponto de vista do Marketing, ao remunerar mal o fator de produção mão-de-obra quebra-se o poder de consumo e formação da poupança da população. Esse fato anda na contra mão da evolução dos mercados produtores e consumidores. Os produtores são diretamente afetados pelos consumidores em sua capacidade de investimento e de produção de bens e serviços em função da renda da população. Por outro lado, do ponto de vista da gestão das políticas públicas, a geração de empregos de baixa remuneração, contribui para a manutenção do círculo vicioso da pobreza e onera a máquina pública por apenas fazer mais do mesmo.
De toda forma, compreender o “market share” (participação de mercado) e empreender em um mercado com essas ou quaisquer outras características, remete para uma questão fundamental: Afinal!... qual é o perfil do seu cliente?
Feliz Natal e Próspero 2010!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte V)

A Tabela 4 acima representa a distribuição socioeconômica da população do Vale Norte do Itajaí, com foco no estrato social denominado “ativo” (com renda), desdobrado em: ocupados e não ocupados. O grupamento “não ocupados” - que não deve ser confundido com “desocupados” -, compreende a população com renda, em situação diversa daquela considerada para o segmento “ocupados”, tais como: beneficiários do INSS (aposentados e pensionistas) e outros não especificados (parcela da população com renda considerada como discrepância estatística por não figurarem nos demais segmentos. Os dados refletem as estimativas populacionais do IBGE para 2009. Tais evidências deverão ser confirmadas pelo Censo 2010.
Para o Marketing, o subgrupo “Benefícios INSS” evidencia que 22,4%, equivalentes a 11.159 habitantes da região do Vale Norte do Itajaí, são formados por pessoas integrantes da “melhor idade”, sendo mais expressivo em Ibirama e Presidente Getúlio. Trata-se de um mercado em ascendência pela maior expectativa de vida da população brasileira, constituindo-se num nicho de mercado com necessidades bastante diferenciadas e típicas de uma idade mais avançada.
Aspectos como acessibilidade aos locais, com rampas, pisos antiderrapantes, corrimões, para garantir a segurança e a autonomia da pessoa idosa devem ser observados por quem deseja clientes da 3ª. idade. Por dispor de mais tempo livre para as mais diversas atividades, esse nicho de mercado potencializa oportunidades no atendimento a inúmeras necessidades, que vão desde a atenção aos aspectos físicos (saúde, alimentação, vestuário, transporte, acomodações, layout de ambientes, infra-estrutura, equipamentos de toda ordem, etc.) até a prestação de serviços para as mais diferentes precisões que venham a se colocar, sejam elas físicas ou espirituais. Produtos e serviços customizados voltados para esse segmento de mercado, em geral, apresenta-se com ótimos retornos sobre os investimentos.
Do ponto de vista da Economia, ponderadas as necessidades mais específicas da idade, o público do subgrupo “benefícios INSS”, demandam muita atenção por parte das políticas públicas, seja nos aspectos de assistência ao idoso, seja na adequação das cidades para um público que representa, aproximadamente, outro ¼ da população. Como pessoas que já contribuíram com a formação da riqueza dos municípios e da nação, merecem usufruir do seu legado. Por sua experiência de vida, a 3ª. idade configura-se em um ótimo celeiro de talentos para atividades voltadas ao 3º. Setor.