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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ENSINO SUPERIOR - UM PROJETO PARA A ECONOMIA DO AMANHÃ

Qual é o projeto de Ensino Superior de Presidente Getúlio? Não se pode examinar o ensino superior em Presidente Getúlio como um evento dissociado da realidade econômica e social da região. É sempre necessário considerar que: “as escolhas que se fizerem hoje, replicarão nos resultados e na vida da cidade amanhã”.
Segundo a UNIDAVI, em função da inviabilidade econômica decorrente da fraca demanda, a cidade pode ficar sem curso superior em seu “status” de oferta educacional. A meu ver, isso significaria, em alguma medida, admitir a incapacidade de mobilização da sociedade e evidenciaria falta de objetividade no ordenamento gerencial sustentável de projetos de desenvolvimento e crescimento para a economia local, em face da ausência do “locus” gerador desse conhecimento e da perda das sinergias multiplicadoras de oportunidades gestadas a partir dele.
As múltiplas implicações dessa possibilidade sobre a economia local têm como uma das contrapartidas, o malogro e a destruição dos recursos públicos e privados já invertidos na atividade e a respectiva drenagem de novos recursos, escassos e custosos, envolvidos na formação, locomoção e demais custeios relacionados à educação superior, direcionados para outras cidades.
Implica, ainda, na descapitalização cultural resultante da não retenção do conhecimento gerado ou de alguma forma patrocinado pelo município, em razão da migração da mão-de-obra formada voltar-se para oportunidades mais atraentes em outras localidades.
Presidente Getúlio e região têm uma grande massa crítica de oportunidades de crescimento e desenvolvimento, que seguramente se tornariam mais rapidamente alcançáveis e concretizáveis, a partir de um projeto de ensino superior fundamentado nessas potencialidades. As oportunidades não podem somente estar lá fora. Elas também devem se materializar aqui.
Realmente, de pouco vale para a cidade formar profissionais superiores, em ciências que não encontram guarida em oportunidades no mercado local. Essa, também, é uma face perversa da realidade das famílias que investem, “com muitas dificuldades”, na formação de seus filhos. São aspectos que acabam por desestimular o candidato à academia e, não raro, se transformam em verdadeiras barreiras ao ingresso no ensino superior
Por outro lado, todos os anos são formados um grande contingente de alunos, egressos do 2º. Grau. Esses futuros e potenciais acadêmicos poderiam ser mais estimulados e melhor informados sobre as oportunidades do mercado de trabalho, evidenciando as características e requisitos das eventuais profissões escolhidas. É comum observar uma forte desistência dos cursos superiores nos primeiros semestres da vida acadêmica, o que afeta o ponto de equilíbrio dos cursos e implica em maiores custos para o ensino superior.
A saudável concorrência entre as múltiplas instituições de ensino superior, a qualidade e oportunidade dos cursos, as modalidades de ensino praticadas, os diferentes canais em que os cursos são ofertados, a variação nos preços praticados, a qualidade e capacidade do corpo docente e a excelência no serviço prestado, transformam-se no diferencial mercadológico dessas organizações.
As condições estão colocadas. Fazer juz à tamanha diversidade de oferta passa, necessariamente, pela discussão de qual projeto de ensino se deseja e com qual realidade econômica local ele deve estar conectado para, só então, decidir qual ou quais bandeiras deveriam estar hasteadas no pórtico do Centro de Ensino Superior de Presidente Getúlio.

domingo, 20 de setembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte II)

A estatística é uma ferramenta que permite ao observador, uma leitura bastante aproximada da realidade do universo pesquisado. Trabalhar com erro estatístico de até 5%, não inviabiliza macro conclusões. Elas indicam tendências observadas a partir da leitura dos 95% demais elementos pesquisados e não altera o viés das conclusões abaixo apresentadas.
A Tabela 1, acima, indica o tamanho da população de Presidente Getúlio e Ibirama, segundo o Censo de 2000 realizado pelo IBGE. Somados, os dois municípios detinham, à época, um público consumidor de bens e serviços de 28.135 pessoas. Em 2009, estima-se esse público em 31.861habitantes. Diante disso, o crescimento populacional de Presidente Getúlio e Ibirama, para o período 2000-2009, pode ser estimado a uma taxa de 1,73% e 1,12% ao ano, respectivamente. O Censo de 2010 confirmará ou não essa tendência.
A diferença nas taxas de crescimento dos municípios pode ser explicada por diversos fatores conjunturais ou estruturais e, sem pretender esgotar o assunto, é possível afirmar que:
a) No somatório dos períodos 2000/2009, o crescimento populacional, estimado para os municípios da tabela 1, foi de 3.726 pessoas. O mercado consumidor dessa região cresce, em 10 anos, a uma velocidade equivalente à totalidade da população de Dona Emma. Tal fato contribui, no médio e longo prazo, para maiores oportunidades comerciais.
b) A proximidade entre os municípios potencializa múltiplos ganhos a partir da integração de mercados consumidores e da expansão comercial, em função da dimensão do mercado consumidor e sua velocidade de crescimento;
c) Quantitativamente, os negócios já mantidos na região devem crescer, no mínimo, na velocidade do crescimento populacional para manter a mesma participação nesse mercado;
d) Tudo o mais constante, em razão das diferentes taxas de crescimento, as políticas públicas ainda tendem a ser mais quantitativas em Presidente Getúlio, e já podem ter um viés mais qualitativo em Ibirama. Além disso, o esforço do poder público para gerir as necessidades da coletividade deve ser igual ou superior à taxa de crescimento da população. Essa é uma condição essencial para a percepção de algum agregado administrativo. Também é condição para alcançar ganhos efetivos de eficiência, eficácia e justiça distributiva na gestão pública.
e) Ponderado o investimento público já realizado, quando considerada a “variação absoluta” dos habitantes em cada município da Tabela 1, o esforço necessário da administração pública para atender às necessidades da população tende a ser maior em Presidente Getúlio.
f) Embora não integrem a Tabela 1, a população, estimadas para os municípios, de Dona Emma (3.583 pessoas), José Boiteux (5.054), Vitor Meireles (5.756) e Witmarsum (3.584), representam 36% (1/3) do mercado consumidor de 49.838 pessoas da região Vale Norte.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte I)

A Ciência Econômica e o Marketing guardam uma preocupação comum: o “homo economicus”.
A Economia se ocupa em atender às ilimitadas necessidades do ser humano, ajustando recursos escassos para obter a melhor combinação entre eficácia alocativa (onde e o que fazer), eficiência produtiva (quanto e por quanto tempo fazer), e justiça distributiva (pra quem e por quanto fazer).
O Marketing é uma função gerencial que se ocupa de ferramentas, resumidamente denominadas de: produto, preço, ponto, promoção. O conjunto dessas ferramentas é conhecido como Marketing Mix. A integração e coordenação das funções desse Mix de Marketing entre si e com outras áreas de qualquer organização empresarial têm como objetivo o ser humano que, em marketing, se chama de cliente ou consumidor.
A interação do homem com a sociedade, visando atender suas ilimitadas necessidades, promove o processo econômico denominado como “demanda ou procura”. É através da compreensão e o atendimento dessas ilimitadas necessidades dos seres humanos - conhecida como demanda do cliente -, que se promove o processo de Marketing integrado chamado “oferta”.
Os diferentes níveis entre a oferta e a procura por bens e serviços, criam um mercado. O equilíbrio entre a oferta e a procura em um determinado mercado é dado pelo preço como uma função da renda disponível para consumo imediato daqueles bens ou serviços ofertados.
A renda das pessoas resulta das relações de troca ocorridas no mercado, através das diferentes combinações dos fatores de produção, entre eles: capital, trabalho. Essa renda é obtida sob a forma de lucros ou salários. É ela – a renda -, quem determina a capacidade e o poder de compra – pelas pessoas -, dos bens e serviços ofertados e disponíveis no mercado.
Pessoas que não trabalham, ou investem sem sucesso, não possuem renda. Do ponto de vista da Economia, essas pessoas são consideradas “sem renda”. Do ponto de vista do Marketing, essas pessoas podem ser consideradas “consumidoras passivas” (consomem bens e serviços pagos por pessoas que possuem renda).
Em economia, as pessoas que trabalham (os assalariados), ou investem com sucesso (os não assalariados), são indivíduos “com renda”. Essas pessoas também são denominadas de “ocupadas” ou “economicamente ativas”. Para o Marketing, pessoas com renda podem ser “consumidoras ativas”.
Aposentados e pensionistas são pessoas com renda, porém, para a economia, são considerados “não economicamente ativos” e por isso mesmo integram o grupamento dos “não ocupados”. Já para o Marketing, podem ser consumidores ativos.
Enquanto a ótica econômica pode ser muito útil para iniciativas na gestão pública, a de marketing o é, para a iniciativa privada.
Essas são considerações preliminares que auxiliam na compreensão das tabelas que serão apresentadas mais adiante, e que representam a estratificação socioeconômica das cidades de Presidente Getúlio e Ibirama, nos períodos de 2000 e 2009, com uma análise econômica e de marketing focando aspectos que podem interessar à gestão de políticas públicas e privadas.