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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A PONTA DE UM "ICEBERG"

Por mais que se busque dourar a pílula, há sempre um ponto crucial e evidente na área da saúde pública. Mais do que uma questão puramente especulativa, a saúde da população deve ser fator determinante da permanente vigilância e atenção da administração pública e, por absoluta necessidade, da avaliação constante - e sem fim -, dos usuários desses serviços, disponibilizados e prestados pelo poder público à população demandante.
Como a questão da demanda por serviços de saúde está muito mais vinculada a razões estruturais do que conjunturais, fica sempre a impressão de que, por mais recursos que se apliquem na saúde, estes nunca serão suficientes para atender às ilimitadas necessidades que venham a ser apresentadas pela população. Por isso mesmo, a demanda por saúde apresenta-se com um negócio altamente rentável para uns, enquanto que para outros, transforma-se no “poço sem fundo” de despesas sem fim.
Teria a medicina emburrecido? Antigamente, quando conseguir um raio-X pago às expensas do município era considerado o supra-sumo da boa gestão da saúde pública, as pessoas que alcançavam tal atendimento, sentiam-se plenamente atendidas em suas necessidades, vez que, a prática da medicina à época, convergia para diagnósticos a partir de evidências fundamentadas nesse instrumento de análise, por vezes, complementado por algum outro exame bioquímico. Era um show bater uma “chapa”, fazer algum exame de sangue ou coisa parecida, ser atendido pelo médico particular ou público e sentir-se absolutamente melhor na semana seguinte. Afinal, sentir-se doente não era algo que as pessoas desejassem, e muitos procuravam evitar por todos os meios, reconhecer a possibilidade de estarem adoentadas. Grassava na sociedade, um conceito muito difundido àquela época: “o trabalho dignifica o homem”.
Na atualidade, esse conceito deu lugar a outros, menos nobres, que ao invés de dignificar o homem, expõe suas mazelas de forma ostensiva e sistemática. Esse mesmo homem, agora movido por conceitos sociais pouco ortodoxos passou a consumir cada vez mais serviços públicos. Ficar doente transformou-se numa forma indireta de apropriar-se dos recursos de terceiros sob a tutela do Estado.
Ao longo dos anos, sob a égide das políticas públicas, o assistencialismo estimulado e praticado por sucessivos governos na área da saúde e assistência social, fez com que o Estado avocasse a si a concepção de uma responsabilidade convenientemente engendrada, convolada num paternalismo convenientemente aceito e recebido pela sociedade. Esse “Walfer State”, termo cunhado pela economia no século passado para designar o “bem-estar social” apresenta um lado hipócrita para essa situação: todo mundo gosta e quer usar, mas ninguém quer pagar a conta.
Dessa maneira, apresentam-se como um “sofisma de composição”, as políticas públicas que não consideram em seu escopo as fontes de financiamento do Estado, imbricadas no conjunto de impostos e taxas que financiam os cofres públicos nas três instâncias e esferas do poder.
Essa questão dá a dimensão do que também ocorre em nosso município no campo da saúde pública. Paradoxalmente, tornou-se muito mais aceitável aos olhos da opinião pública digerir a incomensurável estatística que demonstra a magnitude e amplitude dos serviços oferecidos pelo município, vez que, os espetaculares 40911(1) serviços prestados na área da saúde pública municipal, passaram a ser considerados como parâmetro de excelência de gestão, quando - e sem nenhum demérito ao grandioso trabalho realizado -, o mais desejável deveria ser exatamente o contrário.
Do ponto de vista da Gestão de Políticas Públicas a medicina preventiva, escopo do programa da saúde da família, deixa uma grande lacuna em aberto quando, para uma população municipal estimada de 14392 pessoas, são prestados admiráveis 40911 serviços em saúde. Trata-se de 2,84 serviços per capita para um período de 10 meses. É como se absolutamente toda a população do município tivesse utilizado, 3 vezes, os serviços de saúde municipal num período de 10 meses. Haja estrutura!
Embora, sob a ótica do gerenciamento da saúde, essa magnitude de serviços prestados possa ser considerada extremamente eficiente, do ponto de vista das políticas públicas seu alcance apresenta-se pouco eficaz. Como a ponta de um “iceberg”, tais indicadores demonstram que vivenciamos uma incompreensível “crise de saúde da população”. Nesse sentido o saudoso poeta evoca a lembrança de que: “(...) De repente, não mais que de repente..., fez-se da vida uma aventura errante, de repente, não mais que de repente.” (Vinicius de Morais, Soneto da Separação).
Apesar de toda a controvérsia que essas ponderações possam gerar e a estatística pretenda comprovar, “nada é tão bom que não possa ser melhorado”.
(1) Fonte: Jornal Gazeta Vale das Cachoeiras, 06/11/2009, pg.61.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O poder econômico e o mercado consumidor. (parte IV)

A Tabela 3 acima representa a distribuição socioeconômica da população do Vale Norte do Itajaí, com foco no estrato social denominado “ativo” (com renda), desdobrado em: não ocupados e ocupados. O grupamento “ocupados”,compreende a população de assalariados e não assalariados. Os dados refletem as estimativas populacionais do IBGE para 2009. Tais evidências deverão ser confirmadas pelo Censo 2010.
Para o Marketing, o grupamento “não ocupados” - composto por aposentados e pensionistas -, evidencia que 27,2% da população da região do Vale Norte do Itajaí é formado por pessoas integrantes da “melhor idade”. Trata-se de um mercado em ascendência em face da maior expectativa de vida da população brasileira, caracterizando-se como um nicho de mercado com necessidades bastante diferenciadas e típicas de uma idade mais avançada. Produtos e serviços voltados para esse segmento da sociedade em geral, apresentam-se com ótimos retornos sobre os investimentos.
Do ponto de vista da Economia, ponderadas as necessidades mais específicas da idade, o público do grupamento “não ocupados”, demandam muita atenção por parte das políticas públicas, seja nos aspectos de assistência ao idoso, seja na adequação das cidades a um público que representa ¼ da população. Como pessoas que já contribuíram com a formação da riqueza dos municípios e da nação, merecem usufruir de seu legado.
No outro extremo, encontra-se a população “ocupada” que, representa 36,7% da população de Presidente Getúlio, e 35,0% de Ibirama. Nos demais municípios da região do Vale Norte do Itajaí essa contingente representa 13,5% da população, evidenciando um significativo descasamento ocupacional dos estratos sociais da região, em parte explicada pela discrepância de 2395 pessoas não consideradas na população economicamente ativa daqueles municípios, e possivelmente vinculados a atividades primárias. Por conta dessa discrepância, a região do Vale Norte do Itajaí apresenta 27,8% de pessoas economicamente ativas.
Para o Marketing, esse outro ¼ da população, deve receber atenção diferenciada dos demais estratos sócias, vez que, é uma parcela de habitantes com necessidades muito específicas e horários de consumo limitados pela jornada de trabalho.
Para a economia, essa parcela da população representa 13834 pessoas que geram as riquezas que serão consumidas por todos os habitantes da região.