Todos os dias, fornecedores do mercado de consumo travam uma verdadeira batalha em busca da concretização de negócios. Diferentemente de outras batalhas, nesta, o foco principal é o cliente, “vivo”, interessado e consumindo. O Marketing, como função gerencial, têm como objetivo o ser humano, para quem são desenvolvidos produtos e serviços capazes de gerar consumo. É nesse sentido que a satisfação do cliente interessa, e muito, pois é ela quem gera novos consumos. Portanto, pela ótica do marketing, de pouco serve o consumidor em perspectiva que não consome e pela ótica do CDC é exatamente “aí que mora o perigo”.
Há um “sem número” de arranjos comerciais e financeiros (estratégias de Marketing) que buscam encantar o cliente em perspectiva, facilitar a realização de um negócio e assegurar o consumo. É com esse interesse que nascem as “promoções”, as “liquidações”, os “descontos” ou os “X% OFF”, os “em tantas vezes SEM JUROS”, os “o primeiro pagamento somente após o carnaval”, os “inteiramente grátis”, os “em suaves prestações mensais, com ZERO de entrada”, os “tudo em condições facilitadas” e por aí vai. É o verdadeiro canto da sereia, que torna irresistível o apelo comercial com que o consumidor é persuadido a comprar. E geralmente é bem sucedido. Ponto para o Marketing.
Na outra ponta, há também grande desinformação do consumidor em perspectiva, acerca dessas estratégias e, entre elas, a de que tudo e todas têm um custo financeiro e por essa razão não existe “almoço grátis!”
Há uma regra de mercado, absolutamente simples de ser entendida: “todo dinheiro tem um custo”, inclusive aquele considerado “recurso próprio”. No Brasil, esse custo - que para fins didáticos será aqui denominado de custo financeiro natural -, pode ser medido pela taxa SELIC e que hoje se situa em torno de 10,75% ao ano. Esse raciocínio, quando aplicado aos milagres financeiros acima enumerados, dá a impressão de que seus autores são “loucos destruidores de recursos financeiros”, o que não é verdade. Na prática, como tudo tem um custo financeiro, esse custo já está devidamente apropriado no valor de face do produto. Assim, ao anunciar um produto com pagamento parcelado “em tantas vezes SEM JUROS”, isso não passa de falácia, vez que em razão do “custo financeiro natural”, o preço à vista jamais poderá ser igual ao preço a prazo.
O milagre tem sido fazer o preço caber no bolso do consumidor. E aí é um “vale tudo”!
Há uma regra de mercado, absolutamente simples de ser entendida: “todo dinheiro tem um custo”, inclusive aquele considerado “recurso próprio”. No Brasil, esse custo - que para fins didáticos será aqui denominado de custo financeiro natural -, pode ser medido pela taxa SELIC e que hoje se situa em torno de 10,75% ao ano. Esse raciocínio, quando aplicado aos milagres financeiros acima enumerados, dá a impressão de que seus autores são “loucos destruidores de recursos financeiros”, o que não é verdade. Na prática, como tudo tem um custo financeiro, esse custo já está devidamente apropriado no valor de face do produto. Assim, ao anunciar um produto com pagamento parcelado “em tantas vezes SEM JUROS”, isso não passa de falácia, vez que em razão do “custo financeiro natural”, o preço à vista jamais poderá ser igual ao preço a prazo.
O milagre tem sido fazer o preço caber no bolso do consumidor. E aí é um “vale tudo”!
Esses mecanismos de persuasão do consumidor tem sido objeto de preocupações dos analistas do mercado financeiro global, vez que, a recente bolha imobiliária que gerou a crise do “sub prime” ao redor do mundo, teve suas raízes forjadas nos arranjos comerciais acima enunciados, concorrência predatória, consumidor mal informado e induzido ao consumo acima de sua capacidade de pagamento, aliado ao uso exagerado do cartão de crédito como meio de pagamento, gerando descontrole sobre a economia real. As conseqüências disso ficaram bem conhecidas e tem seus efeitos pernósticos ainda hoje percebidos nas grandes economias do globo, gerando ondas de desemprego, recessão econômica, e inseguranças de toda ordem. É o efeito dominó, onde uma simples inadimplência pelo não pagamento pode gerar uma onda de grandes proporções, com conseqüências graves sobre a vida das pessoas.
O setor financeiro se previne desses eventos, antecipando-os e embutindo esses efeitos no preço do dinheiro sob a forma de taxa de risco, que se encontra incluída na taxa de juros. É por isso que os bons pagam pelos maus! No Brasil ensaia-se, inclusive, lançar mão de outro artifício consumerista chamado de “cadastro positivo”, como uma degeneração da palavra “crédito”. Ressalte-se que, apesar de parecer um retrocesso, comprar à vista solicitando desconto sobre o preço de face dos produtos, ainda é a melhor forma de consumir, traz o cidadão para sua realidade econômica e não gera falsa expectativa ao mercado, na forma de bolha de consumo.
No afã do consumo, a sobreposição do “ter” sobre o “ser” pode trazer sérias conseqüências para a vida das pessoas.
Colhe-se no InfoMoney (2009) que “[...] De acordo com o professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, a compra não pode ser um lazer e, por isso, deve ser planejada. "A pior compra é aquela feita sem necessidade, mesmo que o produto esteja com um preço ótimo”.(grifo nosso) [...] Dicas: Confira as nove dicas dos professores Alcides Leite e Evaldo Alves para fazer uma compra consciente:
1)Definir o que você quer comprar - "A pior compra é aquela por impulso, na qual você compra porque gostou do produto, sem precisar dele", diz Leite;
2) Faça uma lista de compras;
3)Pesquise os preços - Segundo Leite, a internet pode ser uma boa ferramenta de pesquisa de preços;
4) Ao ir à loja, compre apenas o produto programado;
5) Se possível, espere até o produto ficar em liquidação;
6) Antecipe as suas compras - "Não compre em períodos de alta demanda, como em datas comemorativas, pois os preços sobem ou os lojistas têm mais resistência em oferecer descontos", destaca Leite;
7) Qualidade do produto - "Antes de comprar verifique se o produto é bom. As pessoas, normalmente, associam preço à qualidade, mas isso nem sempre procede. Por isso, procure produtos consolidados no mercado", lembra Alves;
8) Evite as novidades - "Um dos grandes inimigos do consumidor são as novidades, sobretudo as relacionadas aos produtos tecnológicos. Geralmente um produto muito novo no mercado ainda não foi tão testado. Com isso, o consumidor corre o risco de ser a cobaia", diz Alves;
9) Peça descontos nos pagamentos à vista - "Algumas lojas cobram o mesmo preço para o pagamento a prazo ou à vista, isso significa que no preço à vista está embutido o custo do financiamento", finaliza Leite.[...]”(disponível em InfoMoney, Dia do Consumidor confira nove dicas para realizar uma compra consciente, por Luana Cristina de Lima Magalhães, acesso em 13.03.2009).

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