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sexta-feira, 9 de abril de 2010

O LIMÃO E A LIMONADA

Há uma realidade subterrânea pouco óbvia aos olhos do observador desatento e que o Senso Comum daqueles que já experimentaram morar em “imóvel usado” conhece muito bem: A felicidade da mudança para o novo endereço é, em geral, logo substituída pelas surpresas advindas da má conservação e/ou precariedade das instalações do “novo imóvel” tão sonhado.
Por “erros de projeto” e por não receber o benefício das revisões periódicas, dito imóvel sofre os efeitos do sucateamento das instalações, onde a exaustão dos materiais acompanha a idade da edificação, transformando o sonho da “nova casa” em um pesadelo diuturno de seus novos inquilinos. Aí começa uma verdadeira maratona de consertos para os novos ocupantes que, num primeiro momento, tentam desafortunadamente conformar-se com a “ótima escolha” do seu novo endereço, buscando acostumar-se com as dificuldades impostas pelas precariedades do imóvel e que a “paixão pelo sonho” tratou de camuflar.
Quando não for o conforto de um ralo entupido, é a desgraça do cano de esgoto obstruído pela história de seus antigos usuários e que a nova realidade insiste em contar. Se de um lado a realidade aponta para o elevado consumo de energia elétrica por conta de um sistema de distribuição interna obsoleto, de outro, as gambiarras na fiação elétrica promovem um festival de riscos que nenhuma seguradora ousaria cobrir. Defrontar-se com a cruel descoberta do encanamento de água - de qualidade duvidosa e mal dimensionado -, facilmente alcança o status de suplício para o convívio pacífico dos ocupantes do famigerado imóvel. Tem certos “truques” para lidar com a precariedade daquelas instalações que só os antigos inquilinos conheciam e sobre os quais, os novos, necessitam adquirir experiência. Como se diz popularmente: “desgraça pouca é bobagem!” É tentar “fazer do limão uma limonada”. E, em geral, a natureza humana busca encontrar um culpado para suas escolhas malsucedidas. Difícil mesmo, é ter os recursos financeiros para promover os reparos necessários.
Guardadas as devidas proporções, essa também pode ser a realidade do patrimônio público de uma cidade e do comprometimento dos serviços públicos prestados à população. Como no caso da municipalização da água, por exemplo, ao longo dos anos e dos, até então, sucessivos governos estaduais, muito do que nesse momento ocorre em Presidente Getúlio-SC é fruto da exaustão pelo uso, da falta de manutenção, do dimensionamento inadequado e da falta de investimento em equipamentos condizentes com a demanda por água atual e as futuras necessidades do município. E se serve de algum conforto, pelo menos nesse caso, existe de fato um culpado por esse estado de sucateamento das instalações dos serviços de fornecimento de água do município. Paralelamente à isso, como no sonho de morar em um novo endereço acima elencado, a paixão da população por mudanças nesses serviços, sublimou os graves problemas do serviço de abastecimento de água até então existente e que agora necessita ser corajosamente enfrentado.
Certamente a população sofre com as sistemáticas interrupções no fornecimento do líquido precioso, que altera rotinas e compromete a qualidade de vida dos munícipes atingidos pela escassez. Mas, é sempre bom lembrar que “os antigos inquilinos” apenas conheciam os truques para administrar a precariedade instalada, controlando uma bomba relógio, que, mais-dia menos-dia, afetaria a todos de qualquer maneira. Agora, é ter paciência e ser compreensivo, fazendo do limão uma limonada. O limão obviamente já está disponível. O que falta mesmo é a água para completar a limonada. Quanto aos recursos financeiros ... esse já é outro assunto!

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